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Mostrando postagens de 2008

Clássicos da Sessão da Tarde - parte II

Conta Comigo (Stand By Me) Mais um clássico que marcou época, Conta Comigo (Stand By Me) conta a história de quatro garotos que saem à busca do corpo de um adolescente desaparecido. A história se passa no ano de 1959, numa pequena cidade do estado do Oregon, EUA. Percorrendo uma distância de aproximadamente 30 quilômetros , os garotos levam dois dias para chegar ao local almejado. Durante o percurso, a viagem se transforma numa odisséia marcada por sentimentos múltiplos – alegria, tristeza, raiva – mas, antes de tudo, é uma lição sobre a descoberta da verdadeira amizade. Entre os atores do filme, destaque para a atuação da jovem promessa River Phoenix, no papel do durão Chris Chambers, precocemente morto em 1993, após cometer suicídio. Era o irmão mais velho do também ator Joaquin Phoenix. Uma bela película, garanto. A clássica cena do trem Cena final do filme Ben E. King interpretando a canção "Stand By Me"

Clássicos da Sessão da Tarde - parte I

Bons tempos aqueles quando saíamos mais cedo da escola e dava tempo de assistir um dos clássicos da “Sessão da Tarde”. Nada de bichos falantes, chimpanzés esportistas ou gêmeas Olsen. Quem não se lembra do assustador Slot , d’ “Os Goonies”? Ou o Sr. Myiagi podando bonsais e ensinando o jovem Daniel San a lutar, em Karatê Kid ? E o ensandecido Ferris Bueller , em “Curtindo a Vida Adoidado?” Pra começar a série, trago um filme que fez muito nerd vibrar. Aqui no Brasil ficou conhecido como “Te Pego Lá Fora”. Vale a pena relembrar a célebre cena em que o franzino Jerry Mitchell derrota numa briga o brutamontes Buddy Revell. Que vontade de ter um soco inglês desses...

Quintal das lembranças - parte VII

Israel “Bruddah IZ” Kamakawiwo'ole O gigante suave É verdade que muita gente já escutou – seja em filmes, programas de tv ou rádio – um cantor de voz suave, que acompanhado apenas de sua “pequena viola”, interpreta um medley das canções What a wonderful world e Somewhere over the rainbow . Todavia, poucos sabem de quem se trata. O cantor em questão é o havaiano Israel Kamakawiwo'ole (* 20/05/1959 – Honolulu, Hawaii; † 26/06/1997 – Honolulu, Hawaii), também conhecido como Bruddah IZ . No ano de 1993, o cantor lançou um disco memorável, Facing the Future , o qual projetou a sua música para além das ilhas havaianas. Entre as canções do disco, a já comentada versão dos sucessos What a wonderful world , clássico imortalizado na voz de Louis Armstrong, e Somewhere over the rainbow , da trilha sonora do filme “O mágico de Oz". Sempre acompanhado do seu ukelele (ou guitarra havaiana), Bruddah IZ celebrou em suas canções as belezas naturais do Hawaii e as tradições do...

rápido e rasteiro

rápido e rasteiro vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida (Chacal)

Quintal das lembranças - parte VI

Wilson Simonal O rei da "pilantragem" Wilson Simonal de Castro (* 26/2/1939 – Rio de Janeiro, RJ; † 25/6/2000 – Rio de Janeiro, RJ), pode ser considerado o primeiro showman da música brasileira. Dono de uma voz privilegiada, à qual ele alinhava um profundo senso de ritmo e afinação, Wilson Simonal tornou-se um dos principais intérpretes da música brasileira nas décadas de 1960 e início dos anos 1970. Uma de suas principais virtudes certamente foi incorporar em suas interpretações um certo swing advindo do jazz norte-americano, o que fez dele um cantor sui generis . Nascia aí o movimento musical denominado “pilantragem”. Wilson Simonal transitava tranquilamente entre os repertórios do samba, bossa nova, tropicália e jovem guarda. No ano de 1962, lançou um disco revolucionário, intitulado A nova dimensão do samba , no qual interpretava, dentre outras, canções de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Moacir Santos e Johnny Alf. Neste trabalho pioneiro, Wilson Simonal mesclou influên...

Dante Milano

Pode-se dizer que a qualidade dos versos do poeta carioca Dante Milano (1899 – 1991) é inversamente proporcional à sua popularidade. Embora celebrado e aclamado por vários escritores, entre eles ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, o poeta sempre foi avesso à fama, recusando-se até mesmo a candidatar-se à Academia Brasileira de Letras. Sua poesia sustenta-se na tensa linha que separa lirismo e racionalismo. Dono de uma poesia atemporal, de versos que se mostram aparentemente simples, Dante Milano, assim como o cronista Rubem Braga, é um mestre na “difícil arte de escrever fácil”. Conheça mais sobre a vida e a obra de Dante Milano . O amor de agora é o mesmo amor de outrora O amor de agora é o mesmo amor de outrora Em que concentro o espírito abstraído, Um sentimento que não tem sentido, Uma parte de mim que se evapora. Amor que me alimenta e me devora, E este pressentimento indefinido Que me causa a impressão de andar perdido Em busca de outrem pela vida afora. Assim percorro ...

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL

Da esq. p/ dir.: John Fogerty, Doug Clifford, Tom Fogerty e Stu Cook Poucas bandas encarnaram tão a sério a máxima que diz “uma banda de rock é feita de homens e riffs” quanto o Creedence. Foi no ano de 1958, quando os amigos de um colégio de São Francisco, Califórnia, John Fogerty (guitarra e vocal) e Doug Clifford (bateria), resolveram criar uma banda de rock. Após os primeiros ensaios, resolveram convidar um outro colega de classe, Stu Cook (baixo), para integrar o conjunto. Nascia o Blue Velvets . Posteriormente, o irmão mais velho de John, Tom Fogerty, que já era conhecido na cena local como integrante de outro conjunto, convidou o Blue Velvets para acompanhá-lo na gravação de uma demo. Surgia o Tommy Fogerty and The Blue Velvets . O grupo então foi batizado de Creedence Clearwater Revival , inspirado no nome de um amigo de Tom, Credence Nuball. Já o termo Clearwater faz referência a uma marca de cerveja da época. E Revival , que em português significa “renovação”, reprodu...

Paratodos

Por aqueles tempos Tom Jobim andava triste, distante da música, quiçá desiludido com as coisas do Brasil e certamente abalado pela doença que consumia suas forças. Chico Buarque então lhe mandou uma gravação e pediu que o amigo a escutasse, ainda que a contragosto. Tom emocionou-se com os versos da canção Paratodos , na qual Chico Buarque declara toda a importância do amigo na sua formação musical. Uma justa homenagem ao maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Mussum Forevis

É verdade que soa como clichê a recorrente observação de que "antigamente que era bom". Pelo menos em termos de produção cultural a referida observação adequa-se perfeitamente ao passado brasileiro. Já não temos tantos escritores de qualidade comparável com os de outrora (Drummond, Rosa, Vinicius, Clarice, João Cabral, Cecília, Bandeira...). Muito menos vivenciamos o surgimento de novos ritmos musicais, como o foram a bossa nova, a tropicália, a jovem guarda, o movimento rock dos anos 80, encabeçado por gênios como Cazuza e Renato Russo. Novos talentos surgem aqui e ali, mas nada que nos proporcione a sensação de "impacto". Na televisão também não é diferente. Os humorísticos são cada vez mais entediantes, sempre repetindo os mesmos quadros da semana passada. Nada do que é feito hoje se compara à genialidade de artistas como o saudoso Antõnio Carlos Gomes, o eterno Mussum da Mangueira. E de pensar que no futuro corremos o risco de sentirmos saudades dos dias de hoje...

Quintal das lembranças – parte V

Zé Keti A voz do morro José Flores de Jesus (* 16/09/1921 – Rio de Janeiro, RJ; † 14/11/1999 – Rio de Janeiro, RJ), o inesquecível Zé Keti, certa vez, durante o Show Opinião, justificou assim a origem do seu apelido: Quando minha mãe ficou sozinha, pra me sustentar, ela foi ser empregada doméstica... quando minha mãe voltava eles diziam assim pra ela: – Dona Leonor, o Zé ficou quieto, o Zé ficou “quetinho”! – Zé quetinho, Zé quetinho e acabou Zé Keti. Aí então eu comecei a escrever meu apelido com “K”, porque K tava dando sorte, tava por cima... Kennedy, Krushev e Kubitschek. É camaradinha, mas eu acho que a sorte agora mixou, hein? (referindo-se ao início da ditadura militar). O nome de Zé Keti figura no panteão dos imortais do samba, ao lado de Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Ismael Silva, Moreira da Silva e tantos outros. Só para se ter idéia, Zé Keti foi escolhido diretor artístico do lendário Zicartola, cabendo a ele selecionar os sambistas e compositores que se apresentar...

Pílulas do Grande Sertão

João Guimarães Rosa preparando-se para sair em comitiva pelos sertões mineiros Não esboçarei qualquer tentativa de resenha acerca deste livro. Basta uma rápida visita ao Google e o internauta encontrará monografias, teses, dissertações, tratados e afins dando conta do universo roseano descrito nas páginas do Grande Sertão: Veredas . O idioma fica à escolha do leitor, já que a obra foi traduzida para o italiano, alemão, inglês, francês, espanhol... em inglês, o livro foi batizado com o título The Devil to Pay in the Backlands , certamente em referência à frase constantemente repetida pelo jagunço Riobaldo, “o diabo na rua, no meio do redemunho”. O que posso dizer é que com este livro o Brasil certamente ganharia um Nobel de Literatura. Os editores estrangeiros já haviam decidido lançar o nome de Guimarães Rosa como candidato ao prêmio. Mas João partiu antes. Ou como ele dizia, “as pessoas não morrem, ficam encantadas”. A idéia das “Pílulas do Grande Sertão” eu retirei do site Poesia.ne...

Quintal das lembranças – parte IV

João do Vale O carcará encantado João Batista Vale (*11/10/1933 - Pedreiras, MA; † 6/12/1996 - São Luís, MA), ou simplesmente João do Vale, foi o quinto numa família de oito irmãos, dos quais somente três sobreviveram. Ainda garoto, foi obrigado a deixar a escola, a fim de ceder o lugar para o filho de um coletor de impostos recém chegado na região. Aos 12 anos de idade, mudou-se, juntamente com a família, para a capital maranhense. Aos 15 anos, fugiu de casa, indo para Teresina, onde trabalhou como ajudante de caminhão. Viajou para várias cidades, e numa dessas oportunidades chegou a Salvador. De lá, decidiu que iria para o Rio de Janeiro. Na capital carioca, João do Vale conseguiu o serviço de pedreiro. Como não possuía residência fixa, dormia ali mesmo, no interior das construções. Durante o dia, ocupava-se no ofício. À noite, visitava rádios, à procura de artistas que gravassem suas composições. Numa dessas oportunidades conheceu Tom Jobim, que tocava piano num inferninho de...

Show Opinião

Vários “Brasis” dialogando juntos no mesmo palco 1964. Em abril daquele ano o país experimentava o início dos anos de chumbo da ditadura militar. Musicalmente falando, a bossa nova ainda era o gênero mais conhecido, e agora admirado, no mundo inteiro. Todavia, a bossa nova já não mais guardava o mesmo frescor de 1958, ano oficial do seu nascimento. Cada vez mais distante da tradição de música popular, a bossa nova era vista como um gênero elitizado, e até certo ponto enfadonho, buscando repetir as fórmulas de sucesso do passado. Eis que em dezembro de 1964 o Grupo Opinião, fundado por Oduvaldo Viana Filho (Vianinha) e Ferreira Gullar, entre outros, organizou na cidade do Rio de Janeiro o lendário Show Opinião, que contava com a participação de Nara Leão (posteriormente substituída por Maria Bethânia), João do Vale e Zé Kéti. Nara Leão foi o grande expoente feminino da bossa nova. Nascida numa família de classe média alta, Nara viveu boa parte da sua vida em Copacabana. E foi justament...

Quintanares

O velho Leon Tolstoi POEMA DA GARE DE ASTAPOVO O velho Leon Tolstoi fugiu de casa, aos oitenta anos E foi morrer na gare de Astapovo! Com certeza sentou-se a um velho banco, Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso Que existem em todas as estaçõezinhas pobres ............................................................. do mundo, Contra uma parede nua... Sentou-se... e sorriu amargamente Pensando que Em toda a sua vida Apenas restava de seu a Glória, Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas Coloridas Nas mãos esclerosadas de um caduco! E então a Morte, Ao vê-lo tão sozinho àquela hora Na estação deserta, Julgou que ele estivesse ali à sua espera, Quando apenas sentara para descansar um pouco! A Morte chegou na sua antiga locomotiva (Ela sempre chega pontuamente na hora incerta...) Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho, E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu... Ele fugiu de casa Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade... Não são todos os que realiz...

Violão e Bandolim

Encontro histórico do bandolinista carioca Hamilton de Holanda e do violonista gaúcho Yamandu Costa. Para quem já conhece o trabalho dos dois, vale a pena conferi-los em ação. Para quem não conhece, vale dizer que os dois são os representantes máximos do instrumental brasileiro de cordas contemporâneo. Yamandu Costa e Hamilton de Holanda interpretando Astor Piazzolla .

In memorian

"Quanto mais o tempo passa Mais atemporal fico. Gosto das coisas fora do tempo. Ofereço meu tempo à arte!" Rubens Gerchmann (Rio de Janeiro - RJ, 10/01/1942; São Paulo - SP, 29/01/2008) Em plena sintonia com o cenário carioca de intensas e apaixonadas discussões acerca de proposições políticas e/ou artístico-culturais, a produção gráfica de Rubens Gerchman dos anos 1960, caracterizou-se, particularmente, por seu extremo vigor narrativo: por sua vontade de informar, de comunicar-se, com os milhares de Joãos, Marias e anônimos, seja da classe média ou do subúrbio carioca, mas que compartilham das mesmas alegrias e angústias, dos mesmos ídolos, símbolos sexuais ou sonhos de consumo. Como uma tentativa de refletir sobre as consequências alienantes dos processos de comunicação de massa no mundo contemporâneo. Exímio desenhista, entrou em contanto com as artes gráficas ainda menino, no estúdio de desenhistas gráficos de seu pai, artista gráfico e desenhista de publicidade. Entre 1...

Quintal das lembranças - parte III

Sir John "The Ox" Entwistle O revolucionário do baixo Dando sequência aos modestos "ensaios biográficos" já postados aqui, resolvi mudar de vertente, que até então baseava-se no binômio samba/bossa nova, para trazer um pouco dos outros universos que entremeiam as lucubrações deste blogueiro. Por outro lado, gostaria de advertir que não possuo qualquer formação musical ou literária. Antes sim sou movido pela curiosidade em apreender e aprender sobre aquilo que julgo possuidor de qualidade, sem qualquer reserva de estilo ou preconceito. Sempre considerei que o baixo nunca teve a mesma badalação que a guitarra e a bateria numa banda de rock, justamente por ser um instrumento de apoio. Nomes como Hendrix, Eric Clapton e Jimmy Page fazem parte do imaginário dos apreciadores do bom e velho rock'n roll. Todavia, se perguntados a responder o nome de meia dúzia de baixistas, dificilmente completarão a lista. E foi no terreno das 4 cordas que John Alec Entwistle (Londres,...

Ferreira Gullar

MAIO 1964 Na leiteria a tarde se reparte em iogurtes, coalhadas, copos de leite e no espelho meu rosto. São quatro horas da tarde, em maio. Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida que é cheia de crianças, de flores e mulheres, a vida, esse direito de estar no mundo, ter dois pés e mãos, uma cara e a fome de tudo, a esperança. Esse direito de todos que nenhum ato institucional ou constitucional pode cassar ou legar. Mas quantos amigos presos! quantos em cárceres escuros onde a tarde fede a urina e terror. Há muitas famílias sem rumo esta tarde nos subúrbios de ferro e gás onde brinca irremida a infância da classe operária. Estou aqui. O espelho não guardará a marca desse rosto, se simplesmente saio do lugar ou se morro se me matam. Estou aqui e não estarei, um dia, em parte alguma. Que importa, pois? A luta comum me acende o sangue e me bate no peito como o coice de uma lembrança. (Ferreira Gullar)

Meu caro poeta...

Vinicius de Moraes e Rubem Braga. A simpática senhora infelizmente desconheço. Meu caro Vinicius de Moraes, Escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. Você partiu antes. É a primeira primavera de 1913 para cá sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua. E nessa rua que tem seu nome na placa vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias. Parece que a moda voltou nessa primavera. Acho que você aprovaria. O mar anda virado. Houve uma lestada muito forte, depois um sudoeste com chuva e frio. São violências primaveris. O tempo vai passando, poeta. Chega a primavera nessa Ipanema toda cheia de sua música e de seus versos, e eu ainda vou ficando um pouco por aqui, a vigiar em seu nome as ondas, os tico-ticos e as moças em flor. Adeus. texto de RUBEM BRAGA Tarde em Itapuã - Vinicius e Toquinho

Quintal das lembranças - parte II

Rubem Braga - o fazendeiro do ar "Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: "Eu sou lá de Cachoeiro..." Quando se fala em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, alguns saberão tratar-se da cidade em que nasceu o cantor Roberto Carlos. E pouquíssimos mencionarão o nome do escritor Rubem Braga, que lá nasceu em 12 de janeiro de 1913, e sempre levou consigo as lembranças da sua terra natal, com as quais preencheu boa parte das crônicas que escreveu. Aos 15 anos foi enviado pela família para Niterói-RJ, onde moravam alguns parentes. Cursou a faculdade de Direito no Rio de Janeiro, tendo-se formado em 1932 na capital mineira. Além do Rio e BH, o velho Braga morou em São Paulo, Porto Alegre, Recife, Paris, Santiago e Rabat, capital do Marrocos, onde exerceu a função de embaixador, nomeado pelo presidente Jânio Quadros. Como jornalista,...

Quintal das lembranças - parte I

Cartola - Música para os olhos Se nos dias atuais, o termo "favela" nos remete à lembrança de bailes funk e e disputa pelo tráfico de drogas, já houve um tempo em que essas comunidades abrigavam em seu seio a poesia brasileira em estado puro, expressada na forma de letras de samba. Não, a poesia não abandonou as favelas. Todavia, diferentemente do samba de Zé Keti, o qual dizia que "eu sou o samba/a voz do morro sou eu mesmo sim, senhor...", morros e favelas ganharam novas formas de expressão. Não se quer aqui discutir a qualidade do que é produzido hoje nas comunidades, mas apenas fazer a constatação de que a poesia do samba está cada vez mais presente no passado. Nomes como Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Carlos Cachaça, Guilherme de Brito, Heitor dos Prazeres e tantos outros ainda resistem no quintal das lembranças... mas até quando? Pelo menos há o conforto em saber que o nome de Angenor de Oliveira, o mestre Cartola, ainda perdurará por longos anos. Pode-se dizer q...

Iniciando os trabalhos...

Para dar início a este novo projeto, escolhi um texto da lavra deste humilde blogueiro que vos escreve... EXEGESE Não é somente da rosa-flor Perfume-rosa, rosa augusta de Perfilados dentes alvos Que se colhem palavras para a Composição do poema (palavras densas de açúcar como o são as passas estragadas; palavra-confeito que se desfaz na boca, espraiando-se pelas glândulas salivares) Reter a paisagem, descobrir O vocábulo entranhado no coração Dos monturos, a palavra inservível Presa de si mesma Verbo em decomposição, destilando Odores de metano Esperar a noite, o cair da noite O desenlaço de suas pétalas noturnas E das sombras ver surgir Seu tropel de criaturas segregadas Vinde palavras prostitutas, ébrias, Indigentes, viciadas de toda espécie Escutai o bater de asas, um anjo Por ti está em vigília Ainda que um anjo coxo Espécie de Quasímodo alado Adentrai vossa casa, não temeis Mesmo que edificada sobre o Moralismo movediço de tratados E convenções Repousai na face virgem e alcalina D...