Pular para o conteúdo principal

Meu caro poeta...

Vinicius de Moraes e Rubem Braga. A simpática senhora infelizmente desconheço.

Meu caro Vinicius de Moraes,

Escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. Você partiu antes. É a primeira primavera de 1913 para cá sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua. E nessa rua que tem seu nome na placa vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaias. Parece que a moda voltou nessa primavera. Acho que você aprovaria.

O mar anda virado. Houve uma lestada muito forte, depois um sudoeste com chuva e frio. São violências primaveris.

O tempo vai passando, poeta. Chega a primavera nessa Ipanema toda cheia de sua música e de seus versos, e eu ainda vou ficando um pouco por aqui, a vigiar em seu nome as ondas, os tico-ticos e as moças em flor.

Adeus.

texto de RUBEM BRAGA


Tarde em Itapuã - Vinicius e Toquinho

Comentários

Fabrício Santos disse…
Em primeira mão quero parabenizar esse blogueiro pela iniciativa de mostrar e reviver esse passado tão subliminar que foi desses poetas .
Sou leitor de poesias principalmente de Vinicius de Morais e lendo esses fabulosos poemas agente acaba tentando fazer os nossos próprios .

Ao amor que desejo

Amo-te tanto , e com tanta força
Que chega a doer , e parece nem caber em mim esse amor

Se me ama , eu te amo
Se não me ama , eu te amo

Amo-te sem mesmo ser amado
Se fosse amado , hó meu deus nem saberia se suportaria de alegria .

Mais enquanto, isso a tristeza me consome e dentro de mim fica
essa miscigenação de sentimentos que me pertuba .

Toda poesia me lembra voçê , sinto teu cheiro em cada verso e uma
Vontade de te dizer que te amo , com toda minha força .

Amor é assim , quando se ama sofre
quando se é amado sorri

Amar forte é ser egoísta
É querer te-la como minha escrava do amor

E soavemente ao pé do ouvido lhe fazer juras de amor .

Postagens mais visitadas deste blog

Paratodos

Por aqueles tempos Tom Jobim andava triste, distante da música, quiçá desiludido com as coisas do Brasil e certamente abalado pela doença que consumia suas forças. Chico Buarque então lhe mandou uma gravação e pediu que o amigo a escutasse, ainda que a contragosto. Tom emocionou-se com os versos da canção Paratodos , na qual Chico Buarque declara toda a importância do amigo na sua formação musical. Uma justa homenagem ao maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Bud Spencer & Terence Hill

Se havia algo capaz de me deixar extremamente feliz nos meus anos de infância e adolescência, certamente era quando os reclames do plim-plim anunciavam algum filme da dupla Bud Spencer e Terence Hill na Sessão da Tarde. Era diversão garantida, principalmente pelas atuações formidáveis de Spencer, com seu jeito mal humorado e seus socos potentes, que não raro levavam a nocaute vários adversários de uma só vez. Somente há pouco tempo (Deus salve a Wikipédia) descobri que os dois atores são italianos. Bud Spencer na verdade se chama Carlo Vicente Pedersoli, (Nápoles, 31 de outubro de 1929), e para minha grata surpresa foi um grande nadador, tendo participados das Olimpíadas de 1952, 1956 e 1960. Já Terence Hill, o galã da dupla, atende pelo nome de Mario José Girotti, e nasceu em Veneza no dia 29 de março de 1939. Não sei relacionar o nome dos filmes, porque o que importava para mim era a pancadaria rolando solta. Vale a pena rir um pouco com esses caras. Dois tiras fora de ordem - cen...

A poesia de Paulo César Pinheiro

Há muito tempo admiro o trabalho do carioca Paulo César Pinheiro como letrista e compositor. O início do sucesso de P.C. Pinheiro deu-se a partir da parceria estabelecida com o violonista Baden Powell em 1965, que ganhou vida na voz da inesquecível Elis Regina. A partir daí, vários nomes perfilaram-se ao seu: Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho, Dori Caymmi, Ivan Lins, João Nogueira e muitos outros. Com João Nogueira, de quem foi um grande amigo, Pinheiro compôs inúmeros sambas que foram imortalizados pela mineira Clara Nunes, com quem ele foi casado. Aos poucos estou conhecendo o trabalho de P.C. Pinheiro na seara da poesia. Espero adquirir em breve algum livro seu. A julgar pela sua qualidade como compositor, Paulo César Pinheiro já pode ser considerado um dos grandes nomes da poesia brasileira contemporânea. VIDÊNCIA Eu vi uma velha, um velho e vi um menino. E sobre as mãos e o colo da anciã Eu vi a renda, a agulha, o bilro e a lã Com que tecia as malhas do Destino. Eu vi uma ve...