Pular para o conteúdo principal

O homem nu

Virou notícia instantânea: por volta das 12:30 horas desta terça-feira, um homem completamente nu foi visto caminhando tranquilamente pelas imediações do bairro Floresta, em Belo Horizonte.

Não conheço a capital mineira, tampouco o dito bairro, mas em uma pesquisa rápida (menos de um minuto), pude constatar tratar-se de um local onde residem pessoas ordeiras e trabalhadoras em sua esmagadora maioria. Ao que me consta, até mesmo o escritor Carlos Drummond de Andrade lá residiu por alguns anos.

Quanto ao nosso personagem, nada do que foi registrado pelos curiosos seria capaz de desabonar sua reputação, a não ser a insólita situação em que se encontrava em razão da ausência de vestes.

Em dado momento, foi visto fazendo alguns alongamentos, coisa absolutamente normal em se tratando de exercícios físicos altamente recomendáveis, visto que proporcionam maior flexibilidade muscular. Fora isso, nada digno de nota.

Pelo horário, talvez estivesse procurando algum local para almoçar após ter discutido com a esposa, em que pese a remotíssima chance de ser admitido em qualquer estabelecimento em razão da ausência de trajes. Ou ainda, tenha sido apenas um protesto silencioso contra o consumismo desenfreado da nossa sociedade, que hoje paga um alto preço em razão da ingerência que se instalou na administração do país.  

Quiçá estivesse apenas com calor, afinal de contas o aquecimento global está aí, acreditem ou não, e é bem capaz que o nosso personagem esteja apenas antecipando uma tendência, pois é certo que com o aumento gradativo das temperaturas, inevitavelmente seremos obrigados a diminuir a quantidade de peças do nosso vestuário.

Enfim, não sei qual foram os seus motivos, mas o saúdo pela coragem, caro amigo mineiro, pois não há vergonha alguma em sair por aí totalmente despido quando se é um cidadão de bem, cumpridor das suas obrigações. Triste é constatar que em contraposição à sua nudez, homens e mulheres bem trajados, vestindo ternos e sapatos das mais caras grifes, têm feito desta terra uma pátria que nos últimos tempos somente desperta vergonha em seus filhos. 

* * *

Gurupi, 22 set 2015.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paratodos

Por aqueles tempos Tom Jobim andava triste, distante da música, quiçá desiludido com as coisas do Brasil e certamente abalado pela doença que consumia suas forças. Chico Buarque então lhe mandou uma gravação e pediu que o amigo a escutasse, ainda que a contragosto. Tom emocionou-se com os versos da canção Paratodos , na qual Chico Buarque declara toda a importância do amigo na sua formação musical. Uma justa homenagem ao maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Bud Spencer & Terence Hill

Se havia algo capaz de me deixar extremamente feliz nos meus anos de infância e adolescência, certamente era quando os reclames do plim-plim anunciavam algum filme da dupla Bud Spencer e Terence Hill na Sessão da Tarde. Era diversão garantida, principalmente pelas atuações formidáveis de Spencer, com seu jeito mal humorado e seus socos potentes, que não raro levavam a nocaute vários adversários de uma só vez. Somente há pouco tempo (Deus salve a Wikipédia) descobri que os dois atores são italianos. Bud Spencer na verdade se chama Carlo Vicente Pedersoli, (Nápoles, 31 de outubro de 1929), e para minha grata surpresa foi um grande nadador, tendo participados das Olimpíadas de 1952, 1956 e 1960. Já Terence Hill, o galã da dupla, atende pelo nome de Mario José Girotti, e nasceu em Veneza no dia 29 de março de 1939. Não sei relacionar o nome dos filmes, porque o que importava para mim era a pancadaria rolando solta. Vale a pena rir um pouco com esses caras. Dois tiras fora de ordem - cen...

A poesia de Paulo César Pinheiro

Há muito tempo admiro o trabalho do carioca Paulo César Pinheiro como letrista e compositor. O início do sucesso de P.C. Pinheiro deu-se a partir da parceria estabelecida com o violonista Baden Powell em 1965, que ganhou vida na voz da inesquecível Elis Regina. A partir daí, vários nomes perfilaram-se ao seu: Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho, Dori Caymmi, Ivan Lins, João Nogueira e muitos outros. Com João Nogueira, de quem foi um grande amigo, Pinheiro compôs inúmeros sambas que foram imortalizados pela mineira Clara Nunes, com quem ele foi casado. Aos poucos estou conhecendo o trabalho de P.C. Pinheiro na seara da poesia. Espero adquirir em breve algum livro seu. A julgar pela sua qualidade como compositor, Paulo César Pinheiro já pode ser considerado um dos grandes nomes da poesia brasileira contemporânea. VIDÊNCIA Eu vi uma velha, um velho e vi um menino. E sobre as mãos e o colo da anciã Eu vi a renda, a agulha, o bilro e a lã Com que tecia as malhas do Destino. Eu vi uma ve...