Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de março, 2008

Quintal das lembranças - parte VII

Israel “Bruddah IZ” Kamakawiwo'ole O gigante suave É verdade que muita gente já escutou – seja em filmes, programas de tv ou rádio – um cantor de voz suave, que acompanhado apenas de sua “pequena viola”, interpreta um medley das canções What a wonderful world e Somewhere over the rainbow . Todavia, poucos sabem de quem se trata. O cantor em questão é o havaiano Israel Kamakawiwo'ole (* 20/05/1959 – Honolulu, Hawaii; † 26/06/1997 – Honolulu, Hawaii), também conhecido como Bruddah IZ . No ano de 1993, o cantor lançou um disco memorável, Facing the Future , o qual projetou a sua música para além das ilhas havaianas. Entre as canções do disco, a já comentada versão dos sucessos What a wonderful world , clássico imortalizado na voz de Louis Armstrong, e Somewhere over the rainbow , da trilha sonora do filme “O mágico de Oz". Sempre acompanhado do seu ukelele (ou guitarra havaiana), Bruddah IZ celebrou em suas canções as belezas naturais do Hawaii e as tradições do...

rápido e rasteiro

rápido e rasteiro vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida (Chacal)

Quintal das lembranças - parte VI

Wilson Simonal O rei da "pilantragem" Wilson Simonal de Castro (* 26/2/1939 – Rio de Janeiro, RJ; † 25/6/2000 – Rio de Janeiro, RJ), pode ser considerado o primeiro showman da música brasileira. Dono de uma voz privilegiada, à qual ele alinhava um profundo senso de ritmo e afinação, Wilson Simonal tornou-se um dos principais intérpretes da música brasileira nas décadas de 1960 e início dos anos 1970. Uma de suas principais virtudes certamente foi incorporar em suas interpretações um certo swing advindo do jazz norte-americano, o que fez dele um cantor sui generis . Nascia aí o movimento musical denominado “pilantragem”. Wilson Simonal transitava tranquilamente entre os repertórios do samba, bossa nova, tropicália e jovem guarda. No ano de 1962, lançou um disco revolucionário, intitulado A nova dimensão do samba , no qual interpretava, dentre outras, canções de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Moacir Santos e Johnny Alf. Neste trabalho pioneiro, Wilson Simonal mesclou influên...

Dante Milano

Pode-se dizer que a qualidade dos versos do poeta carioca Dante Milano (1899 – 1991) é inversamente proporcional à sua popularidade. Embora celebrado e aclamado por vários escritores, entre eles ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, o poeta sempre foi avesso à fama, recusando-se até mesmo a candidatar-se à Academia Brasileira de Letras. Sua poesia sustenta-se na tensa linha que separa lirismo e racionalismo. Dono de uma poesia atemporal, de versos que se mostram aparentemente simples, Dante Milano, assim como o cronista Rubem Braga, é um mestre na “difícil arte de escrever fácil”. Conheça mais sobre a vida e a obra de Dante Milano . O amor de agora é o mesmo amor de outrora O amor de agora é o mesmo amor de outrora Em que concentro o espírito abstraído, Um sentimento que não tem sentido, Uma parte de mim que se evapora. Amor que me alimenta e me devora, E este pressentimento indefinido Que me causa a impressão de andar perdido Em busca de outrem pela vida afora. Assim percorro ...

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL

Da esq. p/ dir.: John Fogerty, Doug Clifford, Tom Fogerty e Stu Cook Poucas bandas encarnaram tão a sério a máxima que diz “uma banda de rock é feita de homens e riffs” quanto o Creedence. Foi no ano de 1958, quando os amigos de um colégio de São Francisco, Califórnia, John Fogerty (guitarra e vocal) e Doug Clifford (bateria), resolveram criar uma banda de rock. Após os primeiros ensaios, resolveram convidar um outro colega de classe, Stu Cook (baixo), para integrar o conjunto. Nascia o Blue Velvets . Posteriormente, o irmão mais velho de John, Tom Fogerty, que já era conhecido na cena local como integrante de outro conjunto, convidou o Blue Velvets para acompanhá-lo na gravação de uma demo. Surgia o Tommy Fogerty and The Blue Velvets . O grupo então foi batizado de Creedence Clearwater Revival , inspirado no nome de um amigo de Tom, Credence Nuball. Já o termo Clearwater faz referência a uma marca de cerveja da época. E Revival , que em português significa “renovação”, reprodu...

Paratodos

Por aqueles tempos Tom Jobim andava triste, distante da música, quiçá desiludido com as coisas do Brasil e certamente abalado pela doença que consumia suas forças. Chico Buarque então lhe mandou uma gravação e pediu que o amigo a escutasse, ainda que a contragosto. Tom emocionou-se com os versos da canção Paratodos , na qual Chico Buarque declara toda a importância do amigo na sua formação musical. Uma justa homenagem ao maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Mussum Forevis

É verdade que soa como clichê a recorrente observação de que "antigamente que era bom". Pelo menos em termos de produção cultural a referida observação adequa-se perfeitamente ao passado brasileiro. Já não temos tantos escritores de qualidade comparável com os de outrora (Drummond, Rosa, Vinicius, Clarice, João Cabral, Cecília, Bandeira...). Muito menos vivenciamos o surgimento de novos ritmos musicais, como o foram a bossa nova, a tropicália, a jovem guarda, o movimento rock dos anos 80, encabeçado por gênios como Cazuza e Renato Russo. Novos talentos surgem aqui e ali, mas nada que nos proporcione a sensação de "impacto". Na televisão também não é diferente. Os humorísticos são cada vez mais entediantes, sempre repetindo os mesmos quadros da semana passada. Nada do que é feito hoje se compara à genialidade de artistas como o saudoso Antõnio Carlos Gomes, o eterno Mussum da Mangueira. E de pensar que no futuro corremos o risco de sentirmos saudades dos dias de hoje...

Quintal das lembranças – parte V

Zé Keti A voz do morro José Flores de Jesus (* 16/09/1921 – Rio de Janeiro, RJ; † 14/11/1999 – Rio de Janeiro, RJ), o inesquecível Zé Keti, certa vez, durante o Show Opinião, justificou assim a origem do seu apelido: Quando minha mãe ficou sozinha, pra me sustentar, ela foi ser empregada doméstica... quando minha mãe voltava eles diziam assim pra ela: – Dona Leonor, o Zé ficou quieto, o Zé ficou “quetinho”! – Zé quetinho, Zé quetinho e acabou Zé Keti. Aí então eu comecei a escrever meu apelido com “K”, porque K tava dando sorte, tava por cima... Kennedy, Krushev e Kubitschek. É camaradinha, mas eu acho que a sorte agora mixou, hein? (referindo-se ao início da ditadura militar). O nome de Zé Keti figura no panteão dos imortais do samba, ao lado de Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Ismael Silva, Moreira da Silva e tantos outros. Só para se ter idéia, Zé Keti foi escolhido diretor artístico do lendário Zicartola, cabendo a ele selecionar os sambistas e compositores que se apresentar...