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Mostrando postagens de fevereiro, 2011

Mapa - por Murilo Mendes

O poeta mineiro Murilo Mendes Mapa Me colaram no tempo, me puseram uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo, a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação. Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluído, depois, chego à consciência da terra, ando como os outros, me pregam numa cruz, numa única vida. Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia. Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos. Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado, gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar, alguém da terra me faz sinais, não sei bem o que é o bem nem o mal. Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter, tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos, não acredito em nenhuma técnica. Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas, é por isso que saio às vezes pra rua combatendo per...

Genealogia Caymmiana

Da esquerda p/ direita: Danilo, Dori, Dorival e Nana. Talento hereditário Um pequeno apanhado da família Caymmi em ação. Dorival Caymmi e seus filhos em momentos diversos. E viva a verdadeira música brasileira! Dorival Caymmi - O que é que a bahiana tem? Dorival Caymmi - O mar Nana Caymmi - João Valentão Dori Caymmi - O bem do mar Danilo Caymmi - Marina

Um pouco de surf music para relaxar...

Reza a lenda que em 1778, ao desembarcar em terras havaianas pela primeira vez, o capitão inglês James Cook deparou-se com homens habilidosos que deslizavam sobre ondas gigantes sem qualquer temor, montados em verdadeiros "cavalos de madeira". Contudo, o surfe ganhou o mundo a partir de 1912, com o notável desempenho do nadador havaiano Duke Paoa Kahanamoku na olimpíada de Estocolmo, Suécia, onde conquistou a medalha de ouro nos 100 metros livre. A partir de então, Duke tornou-se um ferrenho divulgador do esporte havaiano, e seu arquipélago natal ficou mundialmente conhecido. Sem maiores delongas, um pouco da chamada "surf music" para relaxar...   Donavon Frankenreiter - Your Heart     The Beach Boys - I get around Animal Liberation Orchestra - Roses and Clover   Israel Kamakawiwo'ole - Hokule'a Star of Gladness   The Beautiful Girls - Let's Take The Long Way Home      Lulu Santos - Sereia / De repente Califórnia / Como uma onda

Quintal das lembranças

Pena Branca & Xavantinho Uma dupla que deixou saudades. Sertanejos na acepção mais pura do termo, de quem realmente possui raízes fincadas na terra e a alma envolvida pelos mistérios da natureza. Representantes de um tempo mágico que se perdeu na curva da história do nosso país. Que Deus os tenha em um lugar merecido, à altura da humildade que cultivaram. Calix Bento Trecho do programa "Ensaio" da TV Cultura Cuitelinho - Pena Branca

HUMANIZE

No final de dezembro de 2010, o Canal Futura lançou a campanha "Humanize", cujo objetivo é despertar nas pessoas os sentimentos de respeito e tolerância para com o próximo, a serem exercitados em todas as relações sociais. A campanha contou com a participação do talentoso Marcelo Yuka (ex Rappa), autor da letra e música que compõe o clipe. Não sei por qual motivo, mas a campanha me fez recordar o poema "Os estatutos do homem", do grande escritor amazonense Thiago de Mello , aqui reproduzido: Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente) A Carlos Heitor Cony Artigo I Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão ...

Quando o carnaval chegar...

Quando o carnaval chegar Quem me vê sempre parado, distante, Garante que eu não sei sambar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar Eu tô só vendo, sabendo, Sentindo, escutando e não posso falar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar   Eu vejo as pernas de louça Da moça que passa e não posso pegar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar Há quanto tempo desejo seu beijo Molhado de maracujá Tô me guardando pra quando o carnaval chegar   E quem me ofende, humilhando, pisando, Pensando que eu vou aturar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar E quem me vê apanhando da vida Duvida que eu vá revidar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar Eu vejo a barra do dia surgindo, Pedindo pra gente cantar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar   Eu tenho tanta alegria adiada, Abafada, quem dera gritar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

Quintal das lembranças

Raul Seixas O eterno maluco beleza "Sim, curvo-me ante a beleza de ser. Às vezes zombo de mim mesmo ao término de uma inteligente e aguçada constatação. Ermitão do insólito, poeta da dúvida. Entretanto, duvido a dúvida por ser dúvida fruto de uma premissa lógica. Mas nego, afirmo e não duvido de nada. Prisioneiro sem grade desse silêncio eterno" Se a minha geração teve muito do seu comportamento moldado pelas letras politizadas e melancólicas da Legião Urbana, meio que nadando contra a corrente fui beber em outra fonte, que em certa medida guardava traços de semelhança com o pessoal de Brasília, mas ao mesmo tempo incursava por universos completamente novos, inimagináveis e fascinantes para um garoto que beirava seus 12 anos. Essa fonte chamava-se Raul Seixas. Pai do rock brasileiro, maluco beleza, Raulzito... muitos são os codinomes atribuídos a este genial soteropolitano nascido em 28 de junho de 1945 e morto no dia 21 de agosto de 1989 na capital paulista, em...

RAZÃO DA POESIA

por que trabalha versos, o poeta? talvez celebre a chuva primeira que trouxe a estação das águas quem sabe o natal vindouro, já anunciado pelas luzes na vitrine talvez tenha gritado o poeta como um louco, pela janela mas não encontrara resposta do mundo ou então em silêncio se fechou chamou a si, como quem clama por um amigo perdido no tempo mas a criatura indócil não se moveu de Deus, guardara apenas vagas impressões pueris a elas invocou, todavia insuficientemente para fazer-se escutar nos rincões do infinito incoerente, desarrazoado o poeta vencido se deixa consumir pelo ofício letal artesão da própria dor * * * Goiânia, 04 de novembro de 2006

What a wonderful world

Acredito que a única música que pode competir com What a wonderful world em termos de popularidade planetária é a nossa Garota de Ipanema . Com uma letra simples, porém carregada de sentimentalismo, o clássico eternizado na voz inconfundível de Louis Armstrong (1901-1971) é uma daquelas canções que elevam o espírito e nos faz acreditar naquela menininha de olhos verdes, como bem definiu Mario Quintana, chamada Esperança. Muitos artistas se dispuseram a regravá-la, mesmo sabendo que a versão de Armstrong tornara-se imortal. Numa combinação aparentemente improvável, What a wonderful world ganhou acordes do legítimo punk rock, sendo revisitada pelo inesquecível Joey Ramone (1951-2001), vocalista dos Ramones. Vale a pena conferir. Joey Ramone

SUFOCO

O frio da madrugada afugentava os últimos notívagos, séquito de vagabundos, bêbados, viciados e prostitutas, gente das sombras. A um único homem pertencia a grande avenida naquele momento, em pleno centro da cidade. Sem olhar para trás, ele segue firme e rápido em sua missão. Um forte barulho faz seu coração palpitar. A moto sumiu rapidamente, mas seu som ainda se fez presente por alguns segundos, multiplicados em longos minutos na cabeça do sujeito apressado. Cautelosamente, mete a mão esquerda sob a jaqueta para conferir se o embrulho está bem acondicionado no calor de sua axila direita. Para tentar distrair a mente, olhava algumas vitrines ao longo da avenida. Aquele mundo de cores vivas e alegres estampadas em longos vestidos de seda contrastava profundamente com sua realidade. Por um momento deixou-se conduzir por devaneios, onde sua mãe inválida dançava alegremente, rodopiando a barra de um daqueles vestidos. Teve ódio e vontade de estraçalhar algumas vidraças, ...

Lígia - por Tom e Roberto

Reportagem extraída da revista Marie Claire , 116, novembro de 2000 O quase romance Os olhos verdes da carioca Lygia Marina de Moraes são morenos na letra de "Lígia". Um disfarce da identidade da musa e da atração de Tom Jobim por ela. Tom e Lygia, professora de pré-primário de uma das filhas do compositor, se conheceram em 1968, no bar Veloso, em Ipanema. Nunca houve nada entre os dois, mas aquele encontro daria origem ao samba-canção gravado por Chico Buarque no LP "Sinal Fechado", em 1974. "O Tom vivia de olho nela", diz o jornalista Ruy Castro, que registrou o episódio no livro "Ela é Carioca" (Cia. das Letras). Por muitos anos Tom negou que Lygia fosse sua musa, em respeito ao amigo Fernando Sabino, marido dela na época. Só em 1994, quando o casal se separou, ele admitiu a inspiração aos amigos. ...

Ao quadrado

Sonhar duas vezes Sonhar que se sonha Dentro de um sonho: Ao quadrado E deste segundo sonho Lançar uma corda que Se prenda ao primeiro É como pegar na voz de [um pássaro E amarrá-la num braço [de vento E assim escutar seu canto Eternamente * * * Goiânia, junho de 2006

Quintal das lembranças

Waly Salomão O poeta da Tropicália Filho de pai sírio e mãe sertaneja, o poeta baiano de Jequié Waly Salomão (1944-2003) deveria chamar-se "Ali", nome árabe que significa "o iluminado". Todavia, porque supostamente estivesse bêbado, o funcionário do cartório gravou o nome tal qual permaneceu, iniciado com W e finalizado com Y . Mas chamá-lo de poeta somente é pouco. Waly também caminhou com desenvoltura pelas artes plásticas, música, cinema, enfim, por todos os terrenos onde pudesse colocar em prática sua irreverência e criatividade convulsiva. Entre suas parcerias musicais, destacam-se Gal Costa, principal intérprete de suas canções, o cantor e compositor carioca Jards Macalé, e ultimamente o grupo O Rappa, que chegou a homenageá-lo em um dos seus discos. Alguns poemas de Waly:   Devenir, devir Término de leitura de um livro de poemas não pode ser o ponto final. Também não pode ser a pacatez burguesa do ponto seguimento. Meta desejáv...

Um brasileiro exemplar

O ocorrido se deu no dia 21 de dezembro de 2010. Indicado para receber a comenda Dom Helder Câmara, outogarda pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, o bispo de Limoeiro do Norte (CE), Dom Manuel Edmilson da Cruz, não titubeou em recusar aquela "honraria". Em protesto ao aumento aprovado pelos parlamentares, o qual elevou em 61,8% os seus respectivos vencimentos, Dom Manuel afirmou em bom tom que o reajuste representava uma afronta aos direitos humanos do povo brasileiro. Para ele, “Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar”. Segue abaixo o discurso proferido por este grande brasileiro, em pleno Senado Federal. Um exemplo de retidão e humildade para todos nós.

LIÇÕES DA LÂMINA

LIÇÕES DA LÂMINA Laranja ao meio entre Dois irmãos Dedo cortado gota de sangue um Berro infantil estremece as portas e Invade os labirintos da casa * * * Ritos de passagem são lâminas a fio Seccionando a linearidade da vida * * * Lição do gume: Que o avesso da faca é o inteiro Glauber Ramos

Caçada

CHÁ DAS CINCO

CHÁ DAS CINCO                                   para Jorge Amado   Chá de poejo para o teu desejo chá de alfavaca já que a carne é fraca chá de poaia e rabo de saia chá de erva-cidreira se ela for solteira chá de beldroega se ela foge ou nega chá de panela para as coisas dela chá de alecrim se ela for ruim chá de losna se ela late ou rosna chá de abacate se ela rosna ou late chá de sabugueiro para ser ligeiro chá funcho quando houver caruncho chá de trepadeira para a noite inteira chá de boldo se ela pedir soldo chá de confrei se ela for de lei chá de macela se não for donzela chá de alho para um ato falho chá de bico quando houve fuxico chá de sumiço quando houver enguiço chá de estrada se ela for casada chá de marmelo quando houver duelo...