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DISCURSO DO TEMPO



DISCURSO DO TEMPO

Quando eu for bastante velho
a ponto de me ignorarem todos os espelhos
do mundo
e quando se tornar o sol apenas uma réstia
florescente
que em vão tentará aquecer o vidro das retinas
serei mais jovem que o homem que fui
há cinqüenta anos
que o homem de hoje
que o rapaz de ontem

Quando muito, terei dez anos
e os dias terão o sabor dos quintais
e recenderão à terra molhada
após as chuvas estivais

E assim,
a cada dia concluído
os sentidos primários se apresentarão
tal qual os de uma criança de colo
até vir ao meu encontro a data fatal
trazendo em sua mão o bilhete final
com destino ao ventre da terra

* * *

Goiânia, 1º maio 2007.

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