Frio noturno. Acima das retinas, o silencioso deslizar da lua e o brilho em vigília de uma estrela longínqua, a lançar seu lume clarificado por sobre águas revoltas de destinos incertos. Havia um rumor de coração, e com ele o soçobrar de memórias inquietas, naufragadas ao primeiro sono. E um sonho de nítidas formas e cores, nascido de alguma realidade sobrenatural, por onde trazias um sorriso embevecido, há muito esquecido nos labirintos de feridas mal cicatrizadas. E despertei, acreditando que por alguns instantes contemplara a face da paz...
Ausente entre nós desde 13 de novembro de 2014, é inegável a falta que o poeta matogrossense Manoel de Barros nos faz. Em tempos de aspereza cada vez mais exacerbada, a ausência da sua candura e o seu olhar onírico sobre a vida faz desse mundo um lugar mais pálido, menos interessante. A seguir, alguns poemas de Manoel de Barros, para que possamos recobrar a inocência outrora perdida. O apanhador de desperdícios Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de des...
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