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Mostrando postagens de fevereiro, 2008

Pílulas do Grande Sertão

João Guimarães Rosa preparando-se para sair em comitiva pelos sertões mineiros Não esboçarei qualquer tentativa de resenha acerca deste livro. Basta uma rápida visita ao Google e o internauta encontrará monografias, teses, dissertações, tratados e afins dando conta do universo roseano descrito nas páginas do Grande Sertão: Veredas . O idioma fica à escolha do leitor, já que a obra foi traduzida para o italiano, alemão, inglês, francês, espanhol... em inglês, o livro foi batizado com o título The Devil to Pay in the Backlands , certamente em referência à frase constantemente repetida pelo jagunço Riobaldo, “o diabo na rua, no meio do redemunho”. O que posso dizer é que com este livro o Brasil certamente ganharia um Nobel de Literatura. Os editores estrangeiros já haviam decidido lançar o nome de Guimarães Rosa como candidato ao prêmio. Mas João partiu antes. Ou como ele dizia, “as pessoas não morrem, ficam encantadas”. A idéia das “Pílulas do Grande Sertão” eu retirei do site Poesia.ne...

Quintal das lembranças – parte IV

João do Vale O carcará encantado João Batista Vale (*11/10/1933 - Pedreiras, MA; † 6/12/1996 - São Luís, MA), ou simplesmente João do Vale, foi o quinto numa família de oito irmãos, dos quais somente três sobreviveram. Ainda garoto, foi obrigado a deixar a escola, a fim de ceder o lugar para o filho de um coletor de impostos recém chegado na região. Aos 12 anos de idade, mudou-se, juntamente com a família, para a capital maranhense. Aos 15 anos, fugiu de casa, indo para Teresina, onde trabalhou como ajudante de caminhão. Viajou para várias cidades, e numa dessas oportunidades chegou a Salvador. De lá, decidiu que iria para o Rio de Janeiro. Na capital carioca, João do Vale conseguiu o serviço de pedreiro. Como não possuía residência fixa, dormia ali mesmo, no interior das construções. Durante o dia, ocupava-se no ofício. À noite, visitava rádios, à procura de artistas que gravassem suas composições. Numa dessas oportunidades conheceu Tom Jobim, que tocava piano num inferninho de...

Show Opinião

Vários “Brasis” dialogando juntos no mesmo palco 1964. Em abril daquele ano o país experimentava o início dos anos de chumbo da ditadura militar. Musicalmente falando, a bossa nova ainda era o gênero mais conhecido, e agora admirado, no mundo inteiro. Todavia, a bossa nova já não mais guardava o mesmo frescor de 1958, ano oficial do seu nascimento. Cada vez mais distante da tradição de música popular, a bossa nova era vista como um gênero elitizado, e até certo ponto enfadonho, buscando repetir as fórmulas de sucesso do passado. Eis que em dezembro de 1964 o Grupo Opinião, fundado por Oduvaldo Viana Filho (Vianinha) e Ferreira Gullar, entre outros, organizou na cidade do Rio de Janeiro o lendário Show Opinião, que contava com a participação de Nara Leão (posteriormente substituída por Maria Bethânia), João do Vale e Zé Kéti. Nara Leão foi o grande expoente feminino da bossa nova. Nascida numa família de classe média alta, Nara viveu boa parte da sua vida em Copacabana. E foi justament...

Quintanares

O velho Leon Tolstoi POEMA DA GARE DE ASTAPOVO O velho Leon Tolstoi fugiu de casa, aos oitenta anos E foi morrer na gare de Astapovo! Com certeza sentou-se a um velho banco, Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso Que existem em todas as estaçõezinhas pobres ............................................................. do mundo, Contra uma parede nua... Sentou-se... e sorriu amargamente Pensando que Em toda a sua vida Apenas restava de seu a Glória, Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas Coloridas Nas mãos esclerosadas de um caduco! E então a Morte, Ao vê-lo tão sozinho àquela hora Na estação deserta, Julgou que ele estivesse ali à sua espera, Quando apenas sentara para descansar um pouco! A Morte chegou na sua antiga locomotiva (Ela sempre chega pontuamente na hora incerta...) Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho, E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu... Ele fugiu de casa Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade... Não são todos os que realiz...

Violão e Bandolim

Encontro histórico do bandolinista carioca Hamilton de Holanda e do violonista gaúcho Yamandu Costa. Para quem já conhece o trabalho dos dois, vale a pena conferi-los em ação. Para quem não conhece, vale dizer que os dois são os representantes máximos do instrumental brasileiro de cordas contemporâneo. Yamandu Costa e Hamilton de Holanda interpretando Astor Piazzolla .

In memorian

"Quanto mais o tempo passa Mais atemporal fico. Gosto das coisas fora do tempo. Ofereço meu tempo à arte!" Rubens Gerchmann (Rio de Janeiro - RJ, 10/01/1942; São Paulo - SP, 29/01/2008) Em plena sintonia com o cenário carioca de intensas e apaixonadas discussões acerca de proposições políticas e/ou artístico-culturais, a produção gráfica de Rubens Gerchman dos anos 1960, caracterizou-se, particularmente, por seu extremo vigor narrativo: por sua vontade de informar, de comunicar-se, com os milhares de Joãos, Marias e anônimos, seja da classe média ou do subúrbio carioca, mas que compartilham das mesmas alegrias e angústias, dos mesmos ídolos, símbolos sexuais ou sonhos de consumo. Como uma tentativa de refletir sobre as consequências alienantes dos processos de comunicação de massa no mundo contemporâneo. Exímio desenhista, entrou em contanto com as artes gráficas ainda menino, no estúdio de desenhistas gráficos de seu pai, artista gráfico e desenhista de publicidade. Entre 1...