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Mostrando postagens de abril, 2012

CEMITÉRIO DOS NAVIOS

Aqui os navios se escondem para morrer.  Nos porões vazios, só ficaram os ratos  à espera da impossível ressurreição.  E do esplendor do mundo sequer restou  o zarcão nos beiços do tempo.  O vento raspa as letras  dos nomes que os meninos soletravam.  A noite canina lambe  as cordoalhas esfarinhadas  sob o vôo das gaivotas estridentes  que, no cio, se ajuntam no fundo da baía. Clareando madeiras podres e águas estagnadas,  o dia, com o seu olho cego, devora o gancho  que marca no casco as cicatrizes  do portaló que era um degrau do universo.  E a tarde prenhe de estrelas  inclina-se sobre a cabine onde, antigamente,  um casal aturdido pelo amor mais carnal  erguia no silêncio negras paliçadas.  Ó navios perdidos, velhos surdos  que, dormitando, escutam os seus próprios apitos varando a neblina, no porto onde os barcos  eram como um rebanho atra...

História do Samba

Pra quem gosta de samba de verdade, e deseja conhecer a fundo as raízes desse gênero musical, bem como a história dos artistas que o tornaram popular, aí vai o endereço certo: http://receitadesamba.blogspot.com.br/

Semelhanças no dessemelhante

Se existe um tema que me deixa em constante desassossego é a nossa incapacidade de compreensão do próximo. Como é o sentir e o pensar do nosso semelhante? Por mais que a convivência se prolongue no tempo, poderíamos ousar dizer que "conhecemos" o outrem? Como bem advertiu o mestre João Guimarães Rosa, "Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia?" Para resolver a questão, acredito que somente um homem de muitos "eus" poderia fazê-lo, como o foi Fernando Pessoa, que um dia assim escreveu: Como é por dentro outra pessoa Como é por dentro outra pessoa   Quem é que o saberá sonhar?   A alma de outrem é outro universo   Como que não há comunicação possível,   Com que não há verdadeiro entendimento.  Nada sabemos da alma   Senão da nossa;   As dos outros são olhares,   São gestos, são palavras,   Com a suposição de qualquer semelhança   No fundo.      1934