Frio noturno. Acima das retinas, o silencioso deslizar da lua e o brilho em vigília de uma estrela longínqua, a lançar seu lume clarificado por sobre águas revoltas de destinos incertos. Havia um rumor de coração, e com ele o soçobrar de memórias inquietas, naufragadas ao primeiro sono. E um sonho de nítidas formas e cores, nascido de alguma realidade sobrenatural, por onde trazias um sorriso embevecido, há muito esquecido nos labirintos de feridas mal cicatrizadas. E despertei, acreditando que por alguns instantes contemplara a face da paz...
Por aqueles tempos Tom Jobim andava triste, distante da música, quiçá desiludido com as coisas do Brasil e certamente abalado pela doença que consumia suas forças. Chico Buarque então lhe mandou uma gravação e pediu que o amigo a escutasse, ainda que a contragosto. Tom emocionou-se com os versos da canção Paratodos , na qual Chico Buarque declara toda a importância do amigo na sua formação musical. Uma justa homenagem ao maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

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